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24 de jan de 2009

Meu amigo Hermaciano

Ser Hermaciano era mais do que seguir as regras do manual de instruções dos serviços comerciais, o MISC, um grosso arquivo de mais de 400 folhas que ditava as regras operacionais do Grupo Hermes Macedo. Era ser parceiro e dedicado à empresa.

Isso não faltava ao meu amigo Jorge, antes de ser colega de trabalho era um amigo e parceiro muito criativo, elaborávamos juntos planos para driblar a linha dura que Grupo impunha a seus funcionários. Planos que colocávamos em pratica sem consultar manual, gerencia regional, diretoria, mas que os resultados, justificavam os meios.

Um desses planos malucos foi quando Jimmy Cliff veio à Pelotas. Pegamos vários LP’s da seção de discos para colher autógrafo, Jorge passou o dia inteiro tocando “No woman no cry”, com as caixas de som da loja a todo volume direcionadas para o hotel Manta, até que Jimmy não suportando o assédio veio até a porta da loja dar um abraço em seu fã número 1. Naquele dia vendemos todo o estoque de Jimmy Cliff que estava encalhado.

Outra ideia de Jorge foi gravar comercial dos produtos em oferta e, entre um disco e outro inserir o comercial que era ouvido no calçadão da Andrade Neves e na Rua Gen. Neto. Nosso estúdio era o banheiro da loja, local de uma acústica privilegiada, ele fazia a locução, e eu a parte de redação e técnica. Este gostinho pelos microfones o levou anos depois, a um programa dominical na antiga rádio Cultura. E eu tive as orelhas puxadas várias vezes pelo gerente regional, por incentivar as maluquices do meu amigo.

Jorge foi atropelado duas vezes, o que o deixou com um caminhar desengonçado. Era o homem dos parafusos que por força dos acidentes, teve que se contentar em treinar um dos times de futebol da loja. Não lembro de nenhum campeonato ganho.

Foi mais de treze anos como Hermaciano, juntos trabalhamos uns cinco, seis anos. Alguns anos atrás, Jorge fez um transplante renal e engordou em função do tratamento, mas continua o mesmo.

Hoje ele está à frente da Associação dos Transplantados de Pelotas, na luta contra a discriminação e a falta de estrutura no atendimento dos doentes crônicos que precisam de medicamentos que nem sempre o município tem a disposição. O microfone ele trocou pelas câmaras, faz um programa local em um canal por assinatura.

A última vez que o vi, foi no Theatro Guarany no show de Moacyr Franco, ele estava lá colocando em prática suas artes.

Um grande abraço meu amigo e ex-Hermaciano Jorge Silveira.

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