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15 de fev de 2010

Tempo, inimigo ou amigo da razão - Final feliz no sequestro mais longo do RS

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Por volta das 5h30min de sábado, o segurança particular Rodrigo Leandro Luz invadiu uma casa no bairro Guajuviras, em Canoas, onde residiam sua ex-mulher Josiane Pontes e os filhos do casal, um menino de 11 anos de idade e uma menina de oito, fazendo-os reféns. Ele portava um revólver calibre 38 e dizia-se inconformado com a decisão de Josiane de acabar com o casamento. Na mesma manhã, por volta da 10 horas, Rodrigo libertou os filhos  mas manteve a ex-mulher em cárcere privado sob ameaça de morte, situação que perdurou por mais de 69 horas.
A casa foi cercada pela Brigada Militar logo após as 5h30min, quando o vigilante impediu que outros familiares entrassem na residência e ainda baleou um cunhado, de raspão, na cabeça.
Os primeiros policiais que tentaram negociar com o raptor foram recebidos a tiros, mas não sofreram ferimentos. O local foi isolado e o Grupo de Ações Táticas Especiais da BM, unidade de elite especializada em casos com reféns, assumiu as negociações.
Os contatos entre policia e sequestrador eram feitos por celular. Segundo declarações do comando da operação, o vigilante temia ser morto ao sair da casa e também não queria ser preso. Os contatos eram feitos a cada hora no intuito de não dar descanso ao vigilante.
O tempo, senhor da razão, esteve do lado da vítima e da paciência da policia. Rodrigo se entregou às 20h28min, sua ex-mulher saiu caminhando em direção da ambulância e desmaiou nos braços de policiais. Rodrigo saiu da casa algemado  às 20h40min
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Um dos mais longos sequestros aconteceu em Santo André, interior do estado de São Paulo, e as semelhanças com este caso são muitas. 
Rompimento unilateral do relacionamento, homem possessivo e provavelmente portador de transtorno depressivo  ou perturbação mental, que leva as últimas consequências a necessidade de fazer valer sua impreterível vontade, cobertura de toda a imprensa em tempo real, acesso às informações vindas de fora pela tv, telefone e rádio.
No caso de Santo André, depois de 100 horas de negociações, Eloá Cristina Pimentel de apenas 15 anos morreu. Lá, o tempo foi o inimigo  das vítimas, Eloá e sua amiga Nayara.
No caso Eloá, a demora na tomada de decisões, o excesso de tempo e os equívocos no gerenciamento de crise foram os responsáveis pela tragédia transformada em reality show pela mídia nacional, que tirou Lindemberg Alves do anonimato tornando-o uma celebridade mórbida .
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 O caso de Canoas nos remeteu às lembranças do caso  Eloá, com uma única e fundamental diferença, o comportamento policial. Mesmo dando tempo ao raptor, em nenhum momento os policiais estiveram pré-dispostos a serem transformados em sucessos midiáticos.
No programa policial da Rede Bandeirantes, famoso por cobrir a violência urbana cotidiana, seu apresentador estava irritadíssimo com um policial militar que bloqueava as imagens de seu operador de camera. A maior preocupação estava em dramatizar a situação do que indicar uma solução, aí ficou constatado que no momento da crise a polícia gaúcha demonstra preparo, mas a mídia nacional ainda procura um final dramático para culpar o homem e o tempo, o senhor da razão.
Cópia de ANNA MARIA Postado por Anna Maria

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